Quase todo mundo já teve dor de cabeça. A enxaqueca é outra coisa. Ela tira a pessoa do trabalho, obriga a fechar a cortina do quarto no meio da tarde, cancela o almoço de domingo. Muita gente passa anos tratando as crises por conta própria, com o remédio da farmácia, até perceber que a dor está mandando na agenda. Esse costuma ser o momento de levar a dor de cabeça a um neurologista.

Antes de tudo, um aviso. Algumas dores de cabeça são urgência e não podem esperar consulta. Elas vêm logo abaixo.

Dor de cabeça que pede pronto-socorro

Vá ao pronto-socorro, ou ligue 192 (SAMU) se a pessoa não tiver condições de se deslocar, quando a dor de cabeça vier com:

  • a pior dor da vida, que começa de repente e chega ao máximo em segundos ou poucos minutos, como uma explosão;
  • febre e rigidez de nuca, quando o pescoço fica duro e dói para encostar o queixo no peito;
  • perda de força ou formigamento de um lado do corpo, fala enrolada, boca torta ou perda de visão;
  • confusão, sonolência fora do normal ou convulsão;
  • pancada na cabeça, principalmente em idosos e em quem usa remédio para afinar o sangue.

Quem já tem enxaqueca também precisa de atenção se a crise de hoje for muito diferente das de sempre. “Essa não é a minha dor de sempre” é uma frase que o médico leva a sério.

Como reconhecer a enxaqueca

A enxaqueca tem características que ajudam a separá-la de outras dores de cabeça:

  • a dor costuma ser latejante, como se pulsasse;
  • muitas vezes pega um lado da cabeça, mas pode ser dos dois lados ou mudar de lado de uma crise para outra;
  • é moderada a forte e piora com esforço, como subir escada ou carregar sacola;
  • vem com enjoo ou vômito e com incômodo diante da luz e do barulho, às vezes também de cheiros;
  • sem tratamento, a crise pode durar de algumas horas a cerca de três dias.

Em crise, a pessoa quer ficar deitada, no escuro e em silêncio. Mesmo depois que a dor passa, pode ficar um dia inteiro cansada, como numa ressaca.

A enxaqueca é mais comum em mulheres e costuma começar na adolescência ou no início da vida adulta, embora possa aparecer em outras fases. Ela é diferente da dor de cabeça do tipo tensional, a mais comum de todas, que aperta dos dois lados como uma faixa em volta da cabeça, é leve a moderada e não piora com esforço. Muita gente tem os dois tipos, e reconhecer cada um muda o tratamento.

A aura

Uma parte das pessoas com enxaqueca tem aura antes da dor. O mais comum é um sintoma visual: pontos brilhantes, linhas em zigue-zague que piscam, uma mancha que vai crescendo e apaga parte da visão. Pode haver também formigamento que sobe pela mão até o rosto ou dificuldade passageira para achar palavras. A aura se instala devagar, ao longo de minutos, e costuma durar menos de uma hora.

A primeira aura da vida, ou uma aura diferente da habitual, merece avaliação médica rápida, porque alguns desses sintomas também aparecem em problemas de circulação do cérebro.

Gatilhos comuns

A enxaqueca é uma condição do cérebro, e muitas vezes há outros casos na família. Os gatilhos não causam a doença, mas podem disparar as crises em quem já tem a tendência. Os mais conhecidos:

  • ficar muito tempo sem comer;
  • dormir pouco, ou dormir muito mais que o habitual no fim de semana;
  • estresse, e também o relaxamento logo depois dele, como no primeiro dia de férias;
  • período menstrual;
  • bebida alcoólica, com destaque para o vinho tinto em algumas pessoas;
  • pouca água, algo que pesa no ar seco de agosto e setembro em Brasília;
  • cheiros fortes, luz piscando e muitas horas seguidas de tela.

Cada pessoa tem os seus. Um diário de dor de cabeça, no papel ou no celular, ajuda a descobrir quais são: data, hora, intensidade, o que comeu, como dormiu, que remédio tomou e se funcionou. Algumas semanas de anotação costumam mostrar padrões que ninguém tinha notado.

Quando a enxaqueca pede um neurologista

Nem toda pessoa com enxaqueca precisa de neurologista. Quem tem crises raras, que melhoram bem com o que já foi combinado com o clínico, pode seguir assim. Vale buscar um neurologista em Brasília para enxaqueca quando:

  • as crises acontecem várias vezes por mês e atrapalham trabalho, estudo ou vida em família;
  • o remédio que funcionava deixou de funcionar, ou é preciso tomar cada vez mais;
  • a dor mudou de padrão: ficou mais frequente, mais forte ou diferente;
  • a dor de cabeça começou depois dos 50 anos, em quem nunca teve;
  • a crise vem com aura nova ou com sintomas que assustam;
  • há dúvida se é mesmo enxaqueca ou outro tipo de dor de cabeça.

O excesso de remédio para dor

Um problema frequente em quem tem enxaqueca é o uso de analgésico várias vezes por semana, todas as semanas. Com o tempo, o próprio remédio pode passar a manter a dor. As crises ficam mais frequentes, a pessoa toma mais comprimidos, e o ciclo se fecha. Isso tem nome: cefaleia por uso excessivo de medicação.

Sair desse ciclo pede orientação médica. Não é recomendável cortar tudo de uma vez por conta própria, nem trocar um remédio por outro da farmácia.

Como é a consulta

A consulta de dor de cabeça é, em boa parte, uma conversa detalhada. O neurologista quer saber quando a dor começou na vida, como é uma crise do início ao fim, quantas acontecem por mês, o que piora, o que alivia, quais remédios já foram usados e em que quantidade, como está o sono e se há casos na família. O diário de dor, se a pessoa tiver, ajuda muito.

Depois vem o exame neurológico. Quando a história é típica de enxaqueca e o exame é normal, muitas vezes não é preciso fazer exame de imagem. Se aparece algum sinal diferente, o médico pede ressonância ou outros exames.

O tratamento tem duas frentes. Uma é o tratamento da crise: o que tomar e em que momento, quando a dor começa. A outra, para quem tem crises frequentes, é o tratamento preventivo, que busca diminuir quantas crises acontecem e quanto elas atrapalham a vida. Há opções com remédio e sem remédio, e a escolha cabe ao médico, depois de avaliar cada caso. Sono regular, refeições em horário, atividade física e cuidado com o estresse entram no plano.

Neurologista para enxaqueca em Brasília

Em Brasília, o Dr. Marcos Estrela recebe adultos com enxaqueca e outras dores de cabeça no consultório da Asa Sul, no Centro Clínico Oswaldo Cruz (SHLS 716, Conjunto F, Sala 604). Ele é neurologista, com CRM 2910-DF e RQE 1903, e atende de forma particular, sem convênio.

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