Muita gente associa Parkinson a um tremor forte nas mãos. Na vida real, o começo costuma ser bem mais discreto. A esposa nota que o marido arrasta um pouco o pé. A filha percebe que a letra do pai no cartão de aniversário ficou miúda. O neto pergunta por que o avô não balança um dos braços quando anda. Esses detalhes, somados, são muitas vezes os primeiros sinais de Parkinson.

A doença de Parkinson acontece quando um grupo de células do cérebro, responsável por um mensageiro químico importante para o controle dos movimentos, vai se perdendo aos poucos. O corpo fica mais lento, mais rígido e, em muitas pessoas, aparece o tremor. É mais comum depois dos 60 anos, mas pode começar antes.

Os sinais de movimento

Tremor com a mão parada

O tremor típico do Parkinson aparece com a mão em repouso, apoiada no colo ou no braço do sofá, e diminui quando a pessoa usa a mão para pegar alguma coisa. Costuma começar de um lado só, num dedo ou na mão, às vezes num pé. Tem um movimento característico, como se a pessoa estivesse contando dinheiro ou enrolando uma bolinha de papel entre os dedos. Piora com o nervosismo e some durante o sono.

Nem todo mundo com Parkinson tem tremor. Algumas pessoas passam anos sem tremer, e por isso os outros sinais importam tanto.

Lentidão

Os médicos chamam de bradicinesia. Na prática, tudo fica mais demorado: abotoar a camisa, cortar a carne, levantar da cadeira, virar na cama. Os movimentos repetidos, como bater o dedo na mesa, vão perdendo amplitude. A letra encolhe ao longo da linha. A voz fica mais baixa e monótona, e a família passa a pedir que ele repita o que disse. O rosto perde expressão, e a pessoa parece séria ou triste mesmo quando não está. Pisca menos.

Rigidez

Os músculos ficam mais duros. Às vezes a primeira queixa é uma dor no ombro que não melhora, tratada por muito tempo como problema de articulação.

Postura e marcha

O corpo vai se curvando para a frente. Os passos ficam curtos e arrastados, um braço balança menos que o outro e, para fazer uma curva, a pessoa dá vários passinhos no lugar. Mais adiante podem vir desequilíbrio e quedas.

Em um de seus vídeos, o Dr. Marcos Estrela resume esse começo assim: “Você começa primeiro com pequenos tremores, rigidez muscular, adota essa postura e marcha a pequenos passos. Aí você tem que fazer o diagnóstico. E tratar.”

Sinais que podem vir antes do tremor

Alguns sintomas sem relação aparente com o movimento podem surgir anos antes. Sozinhos, eles não querem dizer Parkinson, porque são comuns e têm muitas outras causas. Quando aparecem junto com os sinais de movimento, ajudam o médico a montar o quadro:

  • perda do olfato: a pessoa não sente mais o cheiro do café passando ou do gás;
  • intestino preso que se arrasta por anos;
  • agitação durante os sonhos: falar alto, gritar, dar socos ou chutes dormindo, às vezes machucando quem dorme ao lado;
  • desânimo, ansiedade ou depressão sem motivo claro;
  • tontura ao levantar rápido da cama ou da cadeira.

Tremor nem sempre é Parkinson

Esse ponto tranquiliza muitas famílias. O tremor mais comum na população é o chamado tremor essencial. Ele aparece quando a mão está em uso: ao segurar a xícara, levar a colher à boca, escrever, enfiar a linha na agulha. Costuma atingir as duas mãos, às vezes a cabeça e a voz, e com frequência há outros casos na família.

Outras causas de tremor incluem ansiedade, excesso de café, tireoide acelerada e efeito de remédios. Alguns remédios usados para enjoo, para tontura e para certos problemas psiquiátricos também podem causar lentidão e rigidez parecidas com as do Parkinson. Por isso a lista de remédios em uso é parte obrigatória da consulta.

Como se faz o diagnóstico

O diagnóstico da doença de Parkinson se apoia na história e no exame neurológico. Nas palavras do Dr. Marcos Estrela: “O diagnóstico do Parkinson é totalmente clínico. Você olhou, você sabe. Mas pede os exames para afastar outras doenças.”

No exame, o neurologista observa o tremor, testa a rigidez movendo braços e pernas do paciente, pede movimentos repetidos com os dedos e os pés, avalia o equilíbrio e vê a pessoa caminhar pelo corredor. Os exames, como a ressonância do crânio e os exames de sangue, entram justamente para afastar outras doenças que podem imitar o Parkinson, como pequenos AVCs e hidrocefalia.

Às vezes o quadro é claro desde o primeiro encontro. Há casos, porém, em que os sinais ainda são poucos e o neurologista prefere rever o paciente algumas vezes antes de dar um nome ao que está acontecendo.

Isso acontece porque nem tudo que se parece com Parkinson é a doença de Parkinson. Existem quadros semelhantes, reunidos sob o nome de parkinsonismo, que podem ser causados por remédios, por pequenos AVCs repetidos ou por outras doenças degenerativas do cérebro. Eles evoluem de outro jeito e pedem condutas diferentes. Separar uma coisa da outra é parte central do trabalho do neurologista.

Tratamento e acompanhamento

O Parkinson é uma doença crônica, que acompanha a pessoa ao longo da vida. O tratamento combina, conforme o caso, recursos com remédio e sem remédio, definidos pelo médico depois da avaliação e ajustados com o tempo, à medida que os sintomas mudam. Fisioterapia, atividade física regular, fonoaudiologia para a voz e para a deglutição e terapia ocupacional costumam fazer parte do cuidado.

O acompanhamento também olha além do movimento. O Dr. Marcos lembra que uma parte das pessoas com Parkinson pode desenvolver demência ao longo do tempo. Por isso memória, humor, sono, intestino e pressão entram nas consultas de acompanhamento, e a família é ouvida sobre o que mudou em casa.

O que a família pode observar e anotar

  • De que lado começou o tremor ou a lentidão, e há quanto tempo.
  • Se houve quedas, mesmo pequenas, ou tropeços novos.
  • Como está o sono e se ele se agita durante os sonhos.
  • Mudanças na letra, na voz e no jeito de andar. Um vídeo curto no celular, com ele caminhando em casa, pode ajudar o médico.
  • Todos os remédios em uso, inclusive os de enjoo e de tontura.

Algumas medidas simples em casa ajudam desde cedo, antes mesmo da consulta: tirar tapetes soltos do caminho, deixar uma luz acesa no trajeto até o banheiro à noite, instalar barras de apoio no box e preferir sapatos fechados, com sola firme.

Avaliação neurológica em Brasília

O Dr. Marcos Estrela é neurologista (CRM 2910-DF, RQE 1903), formado pela Universidade Federal Fluminense, e atende no Centro Clínico Oswaldo Cruz, SHLS 716, Conjunto F, Sala 604, Asa Sul. O atendimento é particular, sem convênio.

Se você notou algum desses sinais em alguém da família, fale com o consultório pelo WhatsApp, no botão desta página, para marcar a avaliação.