A mãe levanta da cama, dá dois passos e precisa se apoiar na cômoda. O pai deixou de ir à padaria a pé porque, nas palavras dele, "a cabeça roda". A esposa acordou com o quarto girando e passou o dia com medo de virar de lado. Tontura em idosos é uma queixa muito comum no consultório. E é também uma das que mais preocupam a família.

A palavra tontura serve para sensações bem diferentes. Por isso, o primeiro trabalho do neurologista é entender o que a pessoa quer dizer quando fala que está tonta. Este texto foi pensado para o filho, a filha ou a esposa que convive com essa queixa: ajuda a observar melhor e a saber quando ela pede consulta e quando pede socorro imediato.

Antes de tudo: quando a tontura é urgência

Algumas tonturas não esperam consulta marcada. Se a tontura começou de repente e veio junto com algum destes sinais, ligue 192 (SAMU) na hora:

  • fala enrolada, boca torta ou fraqueza e dormência de um lado do corpo;
  • visão dupla ou perda súbita da visão;
  • dificuldade para engolir;
  • desequilíbrio tão forte que a pessoa não consegue ficar em pé nem sentada sem apoio;
  • dor de cabeça intensa e diferente de todas as anteriores;
  • desmaio, dor no peito, falta de ar ou coração disparado.

Esses sinais podem indicar AVC ou um problema no coração. Anote o horário em que tudo começou. Essa informação ajuda a equipe que vai atender.

Tontura não é uma coisa só

Quando o paciente chega dizendo que está tonto, a primeira pergunta é: como é essa tontura? Vale a família ajudar a descrever. Em geral, ela cabe em um destes grupos:

  • Sensação de que tudo gira. O teto roda, a parede se mexe. É a vertigem, que costuma vir do labirinto, no ouvido interno, e às vezes do próprio cérebro.
  • Sensação de que vai desmaiar. A vista escurece, as pernas amolecem, principalmente ao levantar. Costuma ter relação com a pressão ou com o coração.
  • Insegurança para andar. A cabeça está boa, mas o corpo não obedece. A pessoa anda abrindo as pernas, procura a parede, tropeça. Aqui entram nervos, músculos, visão e algumas doenças neurológicas.
  • Cabeça leve, vaga, difícil de explicar. Pode ter relação com ansiedade, sono ruim ou remédios.

Muitos idosos têm mais de um tipo ao mesmo tempo. Separar um do outro já encaminha boa parte da investigação.

Causas comuns depois dos 60 anos

Cristais soltos no labirinto. É uma das causas mais frequentes de vertigem nessa idade. A crise dura segundos e aparece ao deitar, ao virar na cama, ao olhar para cima para pegar algo no armário ou ao abaixar para amarrar o sapato. Assusta muito, mas costuma ter tratamento simples, feito com manobras de posição no próprio consultório.

Pressão que cai ao levantar. A pessoa senta na beira da cama, fica em pé e tudo escurece por alguns segundos. Remédios para pressão, desidratação e calor favorecem esse quadro. Em Brasília, a época da seca pesa, porque o idoso sente menos sede e bebe pouca água.

Remédios somados. Remédios para dormir, para ansiedade, para dor, para pressão e para próstata, entre outros, podem dar tontura. O risco cresce quando vários se acumulam ao longo dos anos, receitados por médicos diferentes.

Nervos dos pés. Diabetes antigo, falta de vitamina B12 e álcool podem afetar os nervos das pernas. O pé perde parte da sensibilidade, e o cérebro deixa de saber direito onde está pisando. O desequilíbrio piora no escuro e em piso irregular.

Visão. Catarata, óculos desatualizados ou multifocais recém-trocados atrapalham a noção de distância e de degrau.

Doenças neurológicas. O Parkinson, pequenos AVCs acumulados, a hidrocefalia de pressão normal e algumas doenças do cerebelo mexem com a marcha e com o equilíbrio. Nesses casos, a tontura costuma vir acompanhada de outros sinais, como passos curtos, tremor, lentidão ou esquecimento.

O que a família pode observar em casa

A consulta rende mais quando chega com informação concreta. Alguns pontos ajudam:

  • quando a tontura começou e se veio de uma vez ou aos poucos;
  • quanto tempo dura cada episódio: segundos, minutos, horas ou o dia inteiro;
  • o que provoca: levantar, virar na cama, olhar para cima, andar no escuro, ficar muito tempo em pé;
  • o que vem junto: zumbido, perda de audição, enjoo, dor de cabeça, palpitação;
  • se houve quedas, quantas e em que situação;
  • se algum remédio foi trocado, aumentado ou começado nas semanas anteriores.

Se houver aparelho de pressão em casa, medir com a pessoa deitada e, depois, em pé por um ou dois minutos pode mostrar uma queda que ninguém via. Anote os números e leve à consulta.

O medo de cair também precisa de cuidado

Depois de um ou dois sustos, muitos idosos passam a andar menos. Ficam mais tempo no sofá, deixam de sair sozinhos, recusam passeios. É compreensível. O problema é que o corpo parado perde força e o equilíbrio piora, o que aumenta o risco da queda que se queria evitar.

Algumas mudanças simples ajudam enquanto a causa é investigada:

  • luz acesa no caminho entre o quarto e o banheiro durante a noite;
  • tapetes soltos fora do chão;
  • barra de apoio no box e perto do vaso sanitário;
  • sapato fechado, com sola firme, no lugar do chinelo largo;
  • levantar em três tempos: sentar na cama, esperar um pouco, e só então ficar em pé.

Uma queda com pancada na cabeça, principalmente em quem usa remédio para afinar o sangue, merece atenção nos dias seguintes. Sonolência, confusão ou dor de cabeça que piora pedem pronto-socorro.

Como o neurologista avalia a tontura

A avaliação começa pela história, contada pelo paciente e completada por quem convive com ele. Depois vem o exame. O médico observa os movimentos dos olhos, testa a coordenação, a força e os reflexos, examina a sensibilidade dos pés e vê a pessoa andar. Em alguns casos, faz manobras mudando a posição da cabeça, que ajudam a identificar os cristais soltos no labirinto. A pressão pode ser medida deitado e em pé.

Exames de sangue, de imagem do cérebro ou de audição entram quando a história e o exame indicam. Nem toda tontura precisa de ressonância, e nem toda ressonância explica uma tontura.

O tratamento depende da causa e é decidido depois da avaliação. Pode envolver manobras no consultório, reabilitação do equilíbrio com fisioterapeuta, revisão da lista de remédios junto com os outros médicos que acompanham o paciente e o cuidado com a doença de base. O acompanhamento mostra o que melhorou e o que ainda precisa de ajuste.

Consulta para tontura e equilíbrio em Brasília

O Dr. Marcos Estrela, neurologista (CRM 2910-DF, RQE 1903), recebe adultos e idosos com tontura, desequilíbrio e quedas no Centro Clínico Oswaldo Cruz, SHLS 716, Conjunto F, Sala 604, na Asa Sul. A consulta é particular, e o consultório não trabalha com convênio. Quem acompanha o paciente pode entrar junto e ajudar a contar a história.

Se a tontura de alguém da sua casa vem se repetindo, mande uma mensagem pelo botão de WhatsApp desta página. Por lá você combina o horário e pode perguntar se o caso permite consulta por telemedicina.